Sentada,
de cabeça baixa,
ouço Maria me perguntar
por que amei
uma mulher
que nem a si mesma
soube amar
— quanto mais a mim.
Ela pergunta
se a outra, antes dela,
já me amou.
Ou a antes da antes.
Humilhada
no terreiro
e na terapia,
sigo implorando
por mulheres
que hoje
já não enxergo
nenhuma qualidade,
apenas defeitos
em tom escuro.
Será que fui muleta emocional
ou será
que usei todas elas
para não andar sozinha?
Posso me dizer vítima
se continuo repetindo
os mesmos padrões
que todos insistem
para que eu evite?
Uma ex
cujo nome já não lembro
disse que vejo o mundo
de um jeito único.
Não foi elogio.
Pensando bem,
foi a coisa mais honesta
que ela me disse.
Outra afirmou
que o que escrevo é sombrio —
crítica rasa,
como foi
o nosso relacionamento,
e olha que ele durou.
Eu as procurei.
Eu as quis.
Sou eu quem escreve
sobre mulheres
que já não quero mais,
só para me vitimizar
das atrocidades
que fizeram comigo —
mesmo sabendo,
desde o início,
que fariam.
Talvez a diferença
entre mim
e um viciado
seja que ele,
em algum momento,
admite
que pode viver
sem aquilo
que o destrói.
Eu não.
Eu continuo cavando,
no fundo do poço,
a próxima relação
que custará
mais do que
meu salário
pode pagar.
Então volto
ao terreiro
para pedir por paz —
a mesma
que escolhi ignorar
ao entrar
nesse enredo
outra vez.
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