sou o fruto
daquela mulher pobre espancada,
o resto da cocaína
escorrendo pela pia do banheiro.
sou o espermatozoide
do negro ferido por outro negro —
que, pelos meus cálculos,
vestia farda.
sou as imagens
que projeto no seu inconsciente.
o desejo pela preta gostosa
fantasiada na cama,
nunca no altar.
sou a branca padrão
que casei na imaginação
e desrespeitei
por me sentir desrespeitada
por todos iguais a ela.
sou os Estados Unidos querendo poder,
poder, dinheiro
e tudo aquilo que acredito ser meu por direito,
sem nunca ter merecido.
me apresento
como a caneta fraca
dos poetas que declaram amor
em meio à guerra.
sou a arrogância
de quem abraça o ódio do mundo
sem notar a esperança
sozinha na outra esquina.
sou todas as palavras
que ainda não conheço,
as que não compreendo
e algumas das que escolhi esquecer.
sou o “obrigado” por educação,
e o que nunca veio
pela infeliz formação.
sou o egocentrismo
em cada frase que digo
e todos os pensamentos autodepreciativos
que só a mim pertencem.
a elegância dos detalhes,
a arrogância da sutileza.
o incompreendido
que talvez seja só incompetente.
todo amor
que se escondeu dessa criança carente.
toda mágoa
que insiste em permanecer.
sou o excesso de traumas
acumulados ao longo da vida.
as tentativas falhas de suicídio,
as comemorações da vida
que ainda não foi vivida.
Se algum desses ecos também encontrou espaço dentro de você, talvez valha a pena ficar por perto.
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