Meus melhores poemas
são o resultado das piores derrotas que presenciei.
Sou o fruto de tudo
que adquiri de bom e de ruim
rodando a minha morada.
Sou esse eco de positividade branca
que se esconde
em cada filhinha de mamãe
que já levei para a cama.
Sou a podridão do homem
que justifica o próprio comportamento
com falta de maturidade
e nunca com o abandono do caráter.
Sou essa criança com fome.
Na verdade,
sempre serei essa criança com fome
e vergonha da própria família
e de si mesma.
Sou essa mulher violentada
dentro de casa,
fora de casa,
do meu lado
ou do seu.
Também me disfarço:
sou o agressor
que tocou sem permissão,
que pegou porque achou que merecia,
que entende tudo como posse,
desejo
e objeto.
Eu sou aquilo
que fingimos que não existe.
Sou o cara gay dentro do armário,
a lésbica espancada por ser quem é,
todas as tentativas falhas
de não estar mais aqui.
Sobrevivente me tornei
antes mesmo de entender
quem eu precisei abandonar
para continuar viva.
Se algum desses ecos também encontrou espaço dentro de você, talvez valha a pena ficar por perto.
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Essa casa continua aberta.

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