Sinto falta
do seu sorriso
que iluminava o quarteirão inteiro,
do som da sua risada
que contagiava quem estivesse perto,
da energia que você emanava
só por existir.
Meu Deus,
sinto falta
da sua loucura
com pitadas de genialidade,
do excesso de comunicação
com tudo que via,
dessa perturbação
traduzida
em falta de silêncio.
Talvez seja só saudade
da versão
que inventei de você.
Ainda assim,
mesmo que não seja real,
sinto como se me fisgasse.
Sem perceber,
você me ensinou
sobre a única pessoa
que permanece
quando todo mundo vai.
Nessa forma adoecida
de enxergar o amor
que você carregava,
aprendi amor-próprio.
E, apesar da falta
que o que tivemos ainda faz,
eu não trocaria isso
por nada.
Ainda penso em você
com afeto
— e com essa maldita saudade.
Lembro do seu cabelo,
que já deve estar crescendo;
do humor duvidoso
que me arrancava
do fundo do poço;
de como evitava carinho,
mas, comigo,
ficava horas grudada;
da forma exata
como nossos beijos se encaixavam.
Às vezes me pego
querendo saber
se você está bem de verdade
ou apenas fingindo
para não deixar
ninguém ver você sangrar.
Se alguém te olhou nos olhos
por tempo suficiente.
Se te abraçou apertado.
Se você precisa de mim
mais do que admitiria em voz alta
— e não falo do meu corpo
na sua cama,
mas do jeito
que nossas almas
conversavam em silêncio.
Lembro das suas mãos nas minhas,
do tom da sua voz,
do quanto você me desejava.
Pensar no seu colo
me deixa
numa melancolia constante
diante da sua ausência.
O que senti por você
já foi paixão,
obsessão,
desejo,
raiva
e mágoa.
Hoje,
se resume em pesar.
Se algum dia você ouvir isso,
saiba:
apesar de tudo
— e por causa de tudo
que fomos —
eu sinto falta de você
de um jeito
que talvez
você nunca compreenda.
Mas, em minha defesa,
o que sinto por você
é maior
do que o desastre
que fomos
uma para a outra.

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