Estava em algum lugar
que nem sei como cheguei,
mas provavelmente partirei
antes de decorar o caminho de volta.
Andei me procurando
dentro de pessoas quebradas
até finalmente admitir
que sou uma delas.
Mas não quero permanecer assim.
Mudei de ontem para hoje,
do ano passado para este,
sigo buscando algo
que ainda não tem nome.
Ainda penso nela,
no que poderíamos ter sido.
Sou tão vazia de sentimentos
que finjo emoções
para não me sentir
ainda mais perdida
nas multidões que frequento.
Tudo tão cheio
de opiniões e pessoas,
e tão vazio
de empatia
e amor.
Sou refém
de uma parte minha
que enterrei
junto com meus sonhos,
porque vivo fazendo planos
sem a real intenção
de realizá-los.
Quem nasce pobre
não escolhe onde brotará
o arroz e feijão
que terá de comprar.
Assim como não escolhe
a forma
nem o momento
em que irá morrer.
De certezas,
não tenho nenhuma.
De perguntas,
reformulo milhares.
De dúvidas,
carrego até aquelas
que já respondi —
por via das dúvidas.
Quero me perdoar
por tudo de ruim
que já lhe fiz.
Mas não peço perdão
por tudo de ruim
que faço comigo.
Sou contradição
em tom sutil
e amor escandaloso.
Você vem?
E, se não vier,
tudo bem.
Não quero me prender
a nada além de mim.
Não quero competir
com pessoas.
Quero competir
comigo mesma.

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