O nome dela é um segredo,
assim como o que sentíamos
uma pela outra.
Ela se sentou perto de mim
no primeiro dia;
se escondeu no segundo;
me evitou no terceiro.
Achei que fosse vergonha —
e era.
Mas também era medo
do que já estava escrito
no instante em que ela sorriu.
Conversamos sobre banalidades,
fingindo querer qualquer coisa
que não fôssemos
uma à outra.
Desabafamos segredos
que nunca mais diremos em voz alta.
Quando percebi,
já fazíamos juras de amor —
conscientes de que não durariam,
mas desejando
que sobrevivessem
àquela noite.
Ela gargalhava
com minhas observações bobas,
mostrava-se frágil no meu colo
e voraz na minha cama.
Abraçava-me todas as noites,
no mesmo horário,
buscando afeto —
e me guardava
apenas no diário,
para que ninguém
sequer sonhasse
com a minha existência.
Eu gritei para o mundo
quem eu era.
Tatuei no peito
o que senti por ela.
Ela sussurrava declarações
nas quais eu me encolhia,
tentando não incomodar,
tentando não atrapalhar
a imagem que projetaram sobre ela.
O meu amor,
poucos conhecem.
Nem mesmo eu sei
se conheci tudo nela
o que poderia.
Fui ficando mais forte,
resistente,
corajosa.
Ela,
mais distante,
fria,
acomodada.
No fim,
tudo acabou
como tinha que acabar.
Ela não chorou.
Não se importou.
Sabia que não seríamos
mais do que um amor de verão,
um sigilo improvável,
algo que se vive
enquanto se nega
ter vivido.
Eu chorei ao partir.
Queria ficar,
queria caber
na caixinha do armário dela,
mas fui.
Já não havia espaço para mim
naquele imóvel escuro.
Hoje fingimos
que nunca nos tocamos,
que nunca nos beijamos,
que nunca nos amamos.
Fingimos
que ela não conheceu
minha alma
nem minha cama;
que não gritou meu nome
por horas;
que eu não fui
a mulher
que ela procurou
tantas vezes
para existir no prazer.
Hoje,
mal a reconheço.
Cercada por pessoas
que desprezo,
usando a mesma máscara —
agora também fora de casa.
Ainda assim,
sei que, em algum momento do dia,
nós duas paramos
e encaramos o nada,
com vontade de berrar
a dor
daquilo que sempre será
nossa verdade velada:
o enigma desvendado,
o segredo guardado
e o nosso
maldito
amor proibido.

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