Queria te dedicar Djavan,
mas você se comportou
como aquela do 2diniz.
Queria te entregar
um buquê de lírios,
mas você sempre preferiu espinhos.
Poderia te dizer “volte”,
mas você não nasceu para ficar
e só permaneceu
o tempo insuficiente
que eu me esforcei
para te fazer me enxergar.
Não sei se consegui.
Estive ocupada demais
enxergando seus ferimentos antigos
enquanto você ignorava
os que me causou.
É tudo sobre percepção:
você se analisa como vítima,
e eu acabei ocupando
um papel
que nunca quis exercer.
Não nego:
contribuí para o fim,
assim como você.
Afastei-me
para não encarar
as cicatrizes da minha própria alma.
Como você,
uso palavras bonitas
para encantar
e esconder
o transtorno que carrego
no fundo do olhar.
Queria voltar no tempo,
nem que fosse
para revisitar as lembranças boas:
o sorriso com covinha,
o cangote,
as piadas inapropriadas,
o silêncio confortável
de te ouvir por horas.
Mas também queria
transformar cada atitude sua
que me fez sangrar
em girassóis
para enfeitar
o que eu queria
que fosse o meu lar.
Não lido bem
com o nosso fim.
Diferente de você,
ainda te espero
na mesma sala,
no mesmo horário,
com as mesmas expectativas
de algo
que nunca iremos ter.
Se algum desses ecos também encontrou espaço dentro de você, talvez valha a pena ficar por perto.
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