Ela só me deseja
porque busca o reflexo daquilo que almeja.
Foi vaidade
antes mesmo de ser luxúria.
A ambição foi devorada
pela ganância de possuir
aquilo que nem o tédio, no final, curou.
A ascensão de erros e acertos
transformou-se em loucura.
Como Vincent van Gogh,
transbordo arte
na ponta do precipício.
Seguro a tesoura
para cortar de mim
mais do que uma orelha.
Fecho os olhos
e imagino aquele dia,
naquela cama,
naquele abraço,
e na fantasia
do que não foi real.
O que construí
para que nos abrigasse
me fez jurar
que seríamos
o tal conto de fadas
que todos ouvem falar
e quase ninguém consegue tocar.
Talvez tenha sido assim
que os porquinhos se sentiram
ao montar seu refúgio,
ignorando todos os sinais
e alertas vermelhos,
apenas para continuar ligados
àquele lugar,
àquela pessoa
e àquele sentimento
que só pertenceu a mim.
Tudo ilusório,
até aleatório —
e, por que não, dolorido?
Talvez amanhã
ela nem lembre
do buraco em que me jogou.
Provavelmente,
daqui a uma semana,
já tenha outra
como alvo principal.
Mas hoje,
eu me alimento
das lágrimas que derramei
pelo que tivemos.
Atualmente,
me machuco
pelo que nunca seremos.
Pois, futuramente,
esquecerei da sua covinha,
da sua risada
e do seu olhar sob o meu.
Então,
cravo na memória
cada pequeno detalhe —
doce ou amargo —
que tivemos,
só para me torturar
e depois enterrar
o que nunca deveria
ter criado vida.
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