Em busca do que não tem preço,
me delicio com tudo que tem valor.
brinco de paciência
na tentativa de me esconder da perseverança.
o que eu desejo ainda não tem nome —
e talvez por isso eu viva de propósito.
ou sobreviva.
eu desejo o amor,
mesmo sem saber praticá-lo em mim.
estendo as mãos para fora
enquanto me abandono por dentro.
se continuar existindo é milagre,
o inferno se alimenta do caos que nos pertence.
prefiro os curiosos aos que se dizem certos.
a sanidade é educada demais
para servir a verdade crua.
sou refém desse infinito
que consome até o que eu não sabia que era meu.
sou prisioneira do que me alimenta
e me veste.
vendo minhas horas
para continuar existindo.
o que me sustenta
também me limita.
quero me desvincular
de tudo o que fui,
de tudo o que precisei ser
para sobreviver.
quero a liberdade —
não como fuga,
mas como ruptura.
a liberdade de quem ainda serei.
tenho fome do que posso ser.
tenho sede do que ainda não sei nomear.
o que eu quero
vai além do codinome.
vem com peso.
e soma.
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