Vejo, no jeito como você desvia o olhar do meu,
o quanto ainda me quer.
Deve ser sufocante
carregar palavras
que não têm coragem de nascer.
Ser tão quebrada
a ponto de escolher a solidão
como refúgio.
Desconfiar tanto
que se desfaz do que sente
antes que vire algo real.
Há tanto medo em você
que ele virou arma
para não chorar.
Você ainda espera algo de mim,
como se fosse eu
quem pudesse impedir
sua queda.
Mas olha para nós:
duas estranhas íntimas,
fantasmas do que não seremos,
presas ao que um dia existiu.
Assumo minha parte.
Fui mais do que você podia sustentar.
Mostrei minha fragilidade
como quem pede abrigo
e esperei que você ficasse
para me manter de pé.
Você não ficou.
E não te culpo mais.
Ainda me culpo,
mas também aprendi
que não é obrigação minha
me conter
para não incomodar.
Empatamos na incapacidade de dizer.
Um brinde
a duas mulheres
que não souberam amar.
Você se assustou
com a minha verdade exposta
porque achou
que eu te prenderia.
Eu não fiz isso.
E agora você se culpa
por não ter ficado.
Não vê?
É o mesmo medo
usando outra máscara.
Eu te deixo no passado
enquanto você se afoga
no que desejou
e não assumiu.
Nós não estávamos prontas.
Eu estou.
Você ainda não.
Então fique —
não comigo,
porque eu sigo —
mas consigo mesma.
Você merece
um amor que não precise fugir.
Sinto falta
do que imaginei que seríamos.
Do pouco que você deu
e que cresceu demais
dentro de mim.
Mas agora preciso
de alguém que ria comigo,
não que tenha medo
do que sente.
Volte para si.
Deixe a culpa.
Eu e você
não soubemos amar.
Ainda assim,
o amor existe.
E eu sigo acreditando nisso —
inclusive
por você.
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