Eu e ela somos a dor de um parto,
o caos em exposição.
Desejo sem freio,
vulnerabilidade vestida de força,
coragem usada como desculpa,
medo escondido atrás do discurso.
O gatilho que juramos não apertar
enquanto estancamos
o sangue da bala
que já atravessou as duas.
A velocidade cega da intensidade,
a lição que nunca fizemos,
a quebra dos nossos próprios padrões,
o espelho exato
do que prometemos não repetir.
Somos a importância ignorada,
o prazer que cobra juros,
a montanha-russa
onde cuidado e agressão
dividem o mesmo trilho.
Uma aliança que nunca coube,
um “quase”
do qual não há recuperação.
Um excesso de silêncios,
um talvez servido frio,
um “até logo”
dito baixo demais
para virar promessa.
Eu e você somos
esse cemitério de contos de fadas,
matando o que existe
para não encarar
o que poderíamos ser.
Prisioneiras de um passado
que ensinou a amar doendo,
sobreviventes da guerra da paixão,
capazes de soltar tudo —
menos o que ainda sangra.
Duas garotas
que nunca aprenderam o amor-próprio,
mas conhecem cada detalhe
do amor que adoece.
Por isso o “nós” não resistiu.
Ela e eu
já não existimos
fora deste poema.
Se algum desses ecos também encontrou espaço dentro de você, talvez valha a pena ficar por perto.
Novos textos continuam aparecendo por aqui.
Se quiser ser avisado quando um novo eco surgir, você pode se inscrever no blog.
Você também pode acompanhar os ecos no Instagram:
@keilinhsc
Essa casa continua aberta.

Deixe um comentário