Corro contra o tempo
procurando a versão de mim
que consiga permanecer.
Subo a escada rolante
com a sensação de avanço,
mas o chão é sempre o mesmo:
o lugar exato
onde deixei a esperança
antes de aprender a nomeá-la.
Os remédios me empurraram para trás.
Voltei ao mesmo habitat,
só que agora
o buraco é mais fundo
e fui eu quem cavou.
Meu pensamento me governa
com mais autoridade do que eu.
O futuro não chega
porque o presente ocupa todo o espaço
e me falta ar
para atravessá-lo.
Sento diante da terapeuta
com as palavras emboladas.
Nada do que tomei
foi suficiente para sedar o monstro.
Ela diz que a cura
começa nas feridas
que eu mesma reabri.
Ainda sou
a menina quebrada
que só queria o colo da avó.
A mesma que aprendeu cedo
a culpar a mãe
para não desaparecer inteira.
Durmo agarrada aos meus traumas.
Acordo com eles respirando no meu pescoço.
E me afogo, em silêncio,
em tudo aquilo
que passo o dia
fingindo não saber dizer.
Se algum desses ecos também encontrou espaço dentro de você, talvez valha a pena ficar por perto.
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