Todo dia
algo morre por aqui.
O tempo escorre
já acostumado
à violência.
Homens matam mulheres
porque querem.
Porque podem.
Crianças aprendem cedo
a sobreviver
em lares que adoecem
e chamam de normal
padrões que um dia
vão repetir
sem lembrar
de onde vieram.
Ei, silêncio:
me entorpeço do proibido
para suportar
o permitido.
Mais um recém-nascido
cujo pai não quis ficar
para vê-lo crescer.
Ainda carrego
minha infância
nas costas.
Procuro afeto
em lugares ocos,
em pessoas
sem empatia.
Fingimos nos importar
com crianças na África
enquanto ignoramos
o estômago roncando
na esquina.
A bondade só aparece
quando alguém
está filmando.
Dizem que sou pecado
por amar.
Mas sou eu
quem sabe deixar ir.
Os salvos, não.
Nunca se deitaram
com a compaixão.
Não existe pureza em mim.
Ainda assim,
escrevo sobre o mundo
que adoecemos juntos —
e sobre a parte disso
que você insiste
em fingir
que não é sua.
Se algum desses ecos também encontrou espaço dentro de você, talvez valha a pena ficar por perto.
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Essa casa continua aberta.

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