Ela odeia meus poemas.
Mas como se recusou a ficar,
escrevo mais um
sobre a sua partida
para suportar a ausência —
que, da minha parte,
nunca foi escolha.
Consigo ouvi-la dizendo
que sou melodramática
outra vez.
E talvez não esteja errada.
O deprimente
é perceber
que você chama
minha virtude de falha,
meu romantismo de fraqueza,
e o que sinto por você
de exagero.
Assumo minha parte.
Fui corajosa o bastante
para me apaixonar
por alguém
que não sabe
se amar.
Você se mantém distante.
Não sei se teme
o que provoco
ou se sou eu
quem insiste em acreditar
que ainda existe
algo nosso
capaz de nos salvar
de nós mesmas.
Beijo outras bocas
tentando substituir
a falta da sua.
Te vejo correr
para outras camas
enquanto eu deito
e choro.
Funciona para você?
Finjo que estou bem.
Minto que me importo
com mulheres
cujos nomes
não guardo.
Então te pergunto,
sem dramatizar:
era isso
que você queria?
Machucamos outras
como se não bastasse
o estrago
que fizemos uma à outra.
Deixamos orgulho e ego
falarem mais alto
que afeto,
paixão,
amor.
Sou capaz
de morrer por você,
mas não de ceder.
E você ousa
sentir minha falta
sem ligar.
Incapaz de admitir
que ainda me quer,
que ainda me deseja,
que, como eu,
se apaixonou demais
por alguém
que não sabe amar
sem ferir.
Se algum desses ecos também encontrou espaço dentro de você, talvez valha a pena ficar por perto.
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