Não se assuste ao me ver renascer
mais uma vez.
Sou tão hábil em me reconstruir
que ergui meu império
no fundo do poço.
Com muitas abas abertas,
penso no futuro
enquanto enrolo o presente
e tento negociar com o passado.
Abafei meus pedidos de socorro
porque aprendi cedo
que a única pessoa capaz
de me resgatar
é a mesma
que, às vezes,
quer me destruir.
Esse é o paradoxo
de uma mente inquieta
e brilhante.
O que me diferencia de você
é exatamente
o que nos aproxima.
Nunca tentei ser outra.
Na minha ambiguidade,
sou abstrata.
Alimento a vida
com poemas precários,
palavras tortas
e sentimentos em excesso.
Porque se eu não sinto nada,
como poderia transbordar
alguma coisa?
Como aberração anunciada,
eu fascino.
Como obra de arte,
você me observa —
mas não me compreende.
E tudo bem.
Sou confusa demais
até para os búzios,
quebrada o bastante
para que as entidades peçam
que eu procure ajuda.
E ainda assim,
estrela o suficiente
para que me puxem ao foco
e digam, em coro:
continua.
Essa ideia
de que a inveja alheia
pode me destruir
é risível.
O único ser humano
que realmente temo
me encara no espelho.
Ainda assim,
deito aos pés
da Rosa Caveira
e me cubro de proteção
contra o que não sei nomear.
Não se apavore
se hoje me vir sangrar
e amanhã sorrir.
Nunca fui amada
do jeito certo.
Nem pela minha própria mãe.
Aprendi cedo
o único mantra possível:
continue a nadar.
Sou Samara
e gosto do lugar que ocupo.
Sou resistência —
até meu cabelo grita.
Sou ventania
revirando a própria casa.
Sou teimosia.
E só do meu jeito
consigo me derrotar.
Então não se preocupe
se me encontrar caída.
Tenho essa mania
de descer do pedestal
que nunca pedi —
mas onde insistem
em me colocar.
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