Já estive em lugares que me recuso a voltar
como ontem, enquanto eu me humilhava
para que ela me escutasse,
como se alguma vez tivesse demonstrado
interesse em me olhar.
Alimentada de migalhas,
foi assim que a anemia virou minha casa.
Como a criança perdida e solitária que fui,
aprendi a buscar abrigo
em lugares escuros,
vazios de esperança e afeto.
Por isso, mais uma vez,
tento vencer o seu silêncio
e fazer você falar —
mesmo que não seja
o que eu queira ouvir.
“Não chega.”
Prometi a mim mesma
que isso não se repetiria.
Não se julgue tão especial:
coloquei você num pedestal
da mesma forma
que coloquei outras mulheres
tão cruéis quanto você.
Não é amor por você;
talvez seja ódio por mim.
Culpo os traumas da infância
que me fizeram confundir rejeição
com pertencimento,
dor com escolha.
Não era amor —
era a necessidade de,
pela primeira vez,
ser a garota escolhida.
Ou talvez fosse amor,
mas doente,
solitário,
desses que se vive sozinho
enquanto o outro passa.
Seja como for,
é egocentrismo te cobrar algo
quando, no fim,
não importa o que fomos
ou poderíamos ser.
Eu te amei.
Ou quase.
Só não posso mais
continuar fazendo isso
sozinha.
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